Por Isabela da Silva Aquino

A obra cinematográfica “Estrelas além do tempo” nada mais é, do que a representação clara e aprimorada da realidade vivida por mulheres negras em meio a segregação racial nos Estados Unidos, país com o maior indice de racismo, mantendo sua visão intolerante, desde os anos 60, década  retratada no filme e marcada por esta alarmante discriminação de forma sólida e estrutural. 

O  longa-metragem é caracterizado por uma história verídica, onde o diretor se preocupa em exibir a luta constante de três mulheres negras no âmbito social e profissional na busca pelos seus direitos civis.

A grande reviravolta do filme é manifesta justamente pela capacidade intelectual em que as personagens revelam, afinal, demonstram ser profissionais qualificados dentro da esfera corporativa estatal ou privada. Mesmo que a população negra dos estados sulistas frequentava  escolas distintas daquelas utilizadas pelos brancos, e consideradas superiores comparado às escolas de pessoas de cor, ainda que andassem na parte de trás dos ônibus, utilizando bebedouros e banheiros públicos destinados somente às pessoas com ascendência africana e pelo sofrimento brutal a partir de perseguições ao tentarem se incluir entre os votantes nos núcleos eleitorais de suas cidades, de certa maneira, qualificou a força e a determinação presente dentro de cada uma onde foram capazes  de expor seus talentos no avanço tecnológico e que proporcionou a ida do primeiro americano à lua, no conflito simbolizado e conhecido como “guerra fria” entre as nações americanas e soviéticas,na corrida espacial.

Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe) atuam na equipe da área de exatas e informática formada pela agência espacial norte-americana, a  NASA,  e são, portanto, especialistas em cálculos complexos, operando “computadores humanos”, numa época em que os equivalentes cibernéticos ainda eram grandes e caros, além de limitados e que boa parte dos estudos matemáticos necessários para se mandar foguetes para o espaço passava por profissionais de altíssimo QI e por conseguinte, competentes. Contudo, as mesmas são obrigadas a enfrentarem desconfianças e descrédito pelo simples fato de serem mulheres, representando assim a discriminação  voltada  ao sexismo e por constituírem a categoria racial negra, sofrendo a marginalização imposta pelo corpo social. 

É importante notar que por anos, povos negros foram ocultados e considerados seres invisíveis  na importancia histórica de cada região, justamente por herdarem um fenótipo de pele escura em relação a outros grupos sociais, logo nunca desistiram de provar suas qualidades e seguiram firmes na luta pelos seus direitos seja em qualquer âmbito  social. 

Portanto, conclui-se que, este filme configura a concepção da superação vivida pelo contexto incerto e rígido da época para com essa classe específica, mas que pela determinação de cada uma em prol de seus próprios interesses, exteriorizam e conquistam vitórias distintas porém únicas e fundamentais para a causa integral por si só, ou seja, cada passo de evolução dominado por um indivíduo preto, ampara por consequência a bandeira levantada por todos que sofrem essa desigualdade racial e social e que buscam lugar de fala, e exercício pleno de seus direitos básicos, até os dias atuais. Em outras palavras, o enfrentamento das adversidades narradas por cada integrante dessa camada social minoritária torna-se coletivo, ou seja, os ganhos somados mesmo que de forma individual, obtêm  caráter comum, afinal, todos dessa esfera, de certa maneira, carregam um pretexto injusto e desigual, representado pela mera cor da pele, e assim, passam por posições arbitrárias de pessoas que possuem elementos socialmente benéficos para a convivência comunitária, afastando-os do meio grupal e perdendo representatividade.

Publicado por Isabela da Silva Aquino


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